Categoria: Petros

Postado em 10/02/2017 10:27

Administração da Petrobrás boicota Suape e mente sobre prejuízo para facilitar venda do complexo industrial

O Complexo Industrial Portuário de Suape (PQS) tem sido vítima de sabotagem por parte da gerência executiva da Petrobrás. A gestão da Petrobrás pretende vender Suape para a petroquímica Mexicana, Alpek, por menos de 15% do valor investido na sua construção, justo no momento em que a empresa começa a dar lucro. 

Para por em prática seu plano, a gestão da companhia se exime de fazer licitação, falsifica resultados, mente sobre o lucro e impede que o complexo industrial se desenvolva em toda a sua potencialidade. Após impulsionar ações populares para barrar a venda deste e dos demais ativos que estão sendo entregues, o Sindipetro AL/SE, através de sua assessoria jurídica, anexou uma petição, que comprova o ato criminoso que está sendo praticado pela gestão executiva da Petrobras.

Em nota publicada no site da Petrobras, a gestão executiva afirma: "a geração de fluxo de caixa operacional do Complexo Citepe-Suape é negativa, o que demanda a realização de aportes de capital periódicos". Sem fundamento para embasar suas mentiras, cabe a gestão executiva apelar para chantagens: "caso o processo de venda não seja concretizado, a Petrobras irá analisar a possibilidade de fechamento desta unidade, visando reduzir a necessidade de aportes adicionais que drenam o caixa da companhia". Ou seja, ameaça um locaute, caso os trabalhadores não aceitem suas transações obscuras. Isso é crime contra a organização do trabalho. 

VAMOS AS PROVAS

O ato ilícito da gestão da Petrobrás e suas mentiras são desmascarados no próprio memorando de valoração que ela apresenta aos seus acionistas (veja aqui). Na página 18 desse memorando a Petrobras afirma que o Complexo Petroquímico Suape (PQS) assumiu rapidamente a liderança no mercado nacional e que a procura pelos produtos ali produzidos continua a crescer. Nessa mesma página, um gráfico demonstra que em apenas três anos Suape conquistou 59% do mercado. 

Mais adiante, o documento revela uma verdadeira sabotagem.  Para entender, é importante explicar que o Complexo Industrial Portuário de Suape (PQS) instalado no Pernambuco é formado por duas empresas, a Companhia Petroquímica de Pernambuco, PetroquímicaSuape, e a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco, Citepe. A PetroquímicaSuape produz o ácido tereftálico purificado, conhecido como PTA. A partir desse composto orgânico, Citepe  fabrica os polímeros e filamentos de poliéster e resina para embalagens PET, utilizado principalmente na produção de vestuário e garrafas plásticas.

Esse empreendimento, liderado pela Petrobras, desenvolvido originalmente com recursos do Governo Federal, destinado através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal, foi feito com o objetivo de desenvolver o mais importante polo integrado de poliéster da América Latina. O projeto inicial visava a produção de DTY, um filamento texturizado usado para fabricação de tecidos e malhas, entre outras aplicações. 

Porém, por decisão da administração da Petrobrás, a linha de DTY, que estava concluída em 45%, não será mais concluída (página 21 do documento). Isso impedirá a empresa de realizar a sua integração completa, prevista no projeto inicial, que recebeu verba do PAC. 

Na página 22, o gráfico mostra toda a cadeia produtiva que foi interrompida por decisão administrativa da Petrobrás de não concluir a Linha “A” de DTY. Ou seja, a administração da Petrobras decidiu impedir a empresa de realizar sua integração vertical. Ou seja, para facilitar sua venda, querem impedir que esta se desenvolva em toda sua potencialidade, em um mercado que continua a crescer, com altas taxas de aceleração.

O incrível, é que mesmo com essas sabotagens, o balanço financeiro aponta que as duas empresas que formam o PQS, em apenas três anos de funcionamento, todo ano melhoram seus indicadores econômicos, com aumento da receita líquida e queda do prejuízo bruto. 

Suape, por exemplo teve um aumento da sua receita líquida de 2014 para 2015 de R$ 857 milhões, para R$ 1.005 bilhão. Já o seu prejuízo (lucro bruto) que já havia diminuído pela metade de 2013 para 2014, em 2015 quase zerou, ficou em 0,2%. Os gráficos mostram ainda que a partir de 2018 o Complexo começa a gerar lucro. O valor de 1,2 bilhões que a gestão da Petrobrás pretende vender Suape com exclusividade para sua concorrente Mexicana, corresponde a capacidade de faturamento da empresa em apenas um ano. 

A roubalheira segue e em larga escala. A gestão executiva da Petrobras, agora comandada pelo governo Temer, tem dado continuidade e aprofundado os planos de desmonte e privatização iniciado nos governos anteriores, do PT e PSDB.

As ações na justiça são apenas um instrumento que podemos utilizar para retardar o desastre, mas não são suficientes para barrar o processo de privatização. Os trabalhadores devem reagir, organizar sua revolta e lutar para impedir que as riquezas do nosso país, produzida com o suor e o sangue de tantos trabalhadores, sejam entregues para satisfazer os interesses de um punhado de empresários bilionários. 

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