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Postado em 12/05/2017 10:48

Quem disse que assédio não é tema de CIPA?

De 24 a 27 de abril, a UO-Seal realizou a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat). O evento é uma realização das seis Cipas da unidade.  Um tema importante, mas que não teve destaque e foi pouco abordado, foi a questão do assédio moral e sexual. 

Todos sabem que a prática do assédio é forte dentro da Petrobras, causa doençsas, acidentes e afeta toda a categoria de próprios, a terceirizados, e principalmente as mulheres. Ainda assim, a única unidade onde foi apresentada essa palestra foi na Sede da Rua Acre, onde a diretora do Sindipetro AL/SE, Enilde Marques, que assumiu apenas nesse momento a presidência interina da Cipa, conseguiu garantir o debate. 

A palestra, apresentada pela companheira Vera Lúcia, enquanto pesquisadora do Instituto Latino Americano de Estudos Sócio Econômicos (ILAESE) foi fundamental para fortalecer os trabalhadores e constranger os assediadores.  Apesar da conquista de garantir esse espaço, lamentamosque o setor da limpeza, um dos que mais sofre assédio, não tenha sido liberado para participar dessa atividade. Lamentamos mais ainda que esse debate não tenha sido feito nas outras áreas. 

Em Carmópolis, por exemplo, a vice-presidente da CIPA que também é diretora do Sindipetro AL/SE, Gilvani Alves, solicitou a realização da mesma palestra, mas teve o pedido dela negado, com o argumento de que esse não é tema da CIPA. Mudaram a atividade da palestra, para um diálogo sobre assédio moral, no período da tarde, apenas para lideranças. 

E não para por aí. Na palestra sobre as drogas, a cipista abordou esse problema como responsabilidade do Estado/Governo, fazendo um link com as reformas que retiram direitos, pois vão agravar a situação. O presidente da CIPA então convocou uma reunião extraordinária para enquadrar a cipista e dizer que ela fez errado em falar na Sipat sobre as reformas, pois isso é assunto sindical e nao de segurança. Assim é fácil entender porque o debate de assédio foi deixado de lado.

Essas barreiras que encontramos apenas para fazer o debate, mostram o quanto o assédio moral e sexual é uma prática institucionalizada pela empresa.  Isso só demonstra nossa necessidade de organização pela base, para fortalecer nosso combate a esses abusos e não deixar que patrão nenhum brinque com nossas vidas. 

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