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Por Sindipetro em 20/11/2017 17:44

É muito cinismo: Temer vai gastar R$ 20 milhões para tentar convencer você, trabalhador, a abrir mão de sua aposentadoria

O governo Temer dá início, nesta sexta-feira (17), a uma campanha publicitária que vai custar algo em torno de R$ 20 milhões. Sabem para quê? Para tentar convencer a população que a Reforma da Previdência, que ele pretende aprovar ainda este ano, é boa para o trabalhador e para o país.

É isso mesmo. Temer vai gastar, pelo menos, R$ 20 milhões dos cofres públicos, ou seja, dinheiro do povo, para mentir e tentar convencer os trabalhadores a abrirem mão do direito à aposentadoria. Abrir mão sim, afinal, a Reforma da Previdência proposta pelo governo é um ataque tão grande que, na prática, vai impedir que os trabalhadores consigam se aposentar um dia.

O mote da campanha será “tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo”, numa tentativa de jogar a população contra os servidores públicos que supostamente seriam esse “setor privilegiado”.

É muito cinismo. Temer e os corruptos do Congresso querem acabar com o direito de quem trabalha duro, de verdade, dia a dia, enquanto eles mantêm seus privilégios e seguem roubando em esquemas de corrupção. O próprio presidente Michel Temer aposentou-se em 1996, aos 55 anos, como promotor do Estado de São Paulo. Há mais de 20 anos recebe uma aposentadoria de R$ 45 mil!

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, envolvido na Lava Jato e árduo defensor da Reforma da Previdência, se aposentou aos 53 anos e recebe cerca de R$ 20 mil. Conseguiu a aposentadoria em 1999, após o término do seu primeiro mandado como deputado federal do Rio Grande do Sul. Geddel Vieira Lima (aquele do apartamento cheio de malas de dinheiro), braço direito de Temer até ser preso, também esteve na articulação da proposta inicial da Reforma da Previdência. Aposentou-se aos 51 anos e recebe nada menos que cerca de R$ 20 mil. Tudo isso fora os salários de mais de R$ 30 mil que recebem como ministros.

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Reforma da Previdência, não! Greve Geral já!

Temer intensificou as negociatas junto ao Congresso para tentar colocar a Reforma da Previdência em votação ainda este ano. Novamente o balcão de negócios foi aberto e já está acontecendo em meio às negociações para troca de ministros. O governo fala em apresentar uma reforma “enxuta” e “desidratada”, pois, supostamente, teria recuado em alguns pontos da proposta inicial já aprovada em Comissão Especial da Câmara, em maio deste ano. Mentira!

A essência da Reforma da Previdência segue a mesma: aumentar a idade mínima exigida para a aposentadoria. Pela proposta, homens precisariam ter 65 anos e mulheres, 62 anos, para se aposentar. A regra prevê ainda que seria necessário o tempo mínimo de 15 anos de contribuição. Contudo, esse tempo só daria direito a 50% da média salarial do trabalhador. Para ter o benefício integral, seriam necessários 44 anos de contribuição mais a idade mínima! Um absurdo!

A CSP-Conlutas defende que é preciso urgentemente organizar nas bases das categorias de trabalhadores de todo o país, tanto do setor privado como público, uma nova Greve Geral.

“Se não lutarmos, esse governo e Congresso de corruptos vão aprovar essa reforma que acaba com a aposentadoria. Eles já mostraram que bastam alguns cargos e emendas que eles vendem até a mãe. Só a mobilização dos trabalhadores pode barrar essa reforma”, afirma o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Paulo Barela.

“No ato em São Paulo, no dia nacional de lutas em 10 de novembro, as centrais sindicais aprovaram, por unanimidade, que se o governo colocar a reforma para votação, será convocada uma paralisação nacional. É preciso agir imediatamente. Qualquer vacilo ou omissão neste momento pode botar a aposentadoria dos trabalhadores a perder. Vamos marcar e preparar a Greve Geral já”, defendeu Barela.

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