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Por Sindipetro em 05/03/2018 16:23

Para onde vão os trabalhadores das estações que serão terceirizadas?

A gerência da Petrobras anunciou que vai iniciar um processo de terceirização das estações de óleo e gás nos campos de Carmópolis, Riachuello, Jordão e Siriri. Em cada campo desses existem polos. Segundo a Petrobras, nesses polos, vai ficar apenas uma estação sendo operada pelos trabalhadores próprios da Petrobras. As demais estações, que ela chama de “menos complexas”, serão operadas por terceirizadas. 

Ou seja, trabalhadores que fizeram uma série de treinamentos, passaram por um período de estágio e em sua maioria já trabalham há muitos anos nessas estações, serão retirados do seu local de trabalho. Qual o plano que a Petrobras tem para esses trabalhadores? Essa é a principal preocupação. 

É POSSÍVEL FUGIR?

Parte dos trabalhadores sentem-se pressionados por um clima de “vamos embora daqui antes que o barco afunde”. Mas, quem for transferido, não sabe como vai ser sua vida em outro lugar. 

Vamos continuar no turno? Vamos continuar com os mesmos direitos? Pode afetar a garantia da AMS? Como isso vai impactar a economia em Sergipe?  Quantos terceirizados a Petrobras vai colocar no lugar de um efetivo? Quais são os riscos que podem acontecer, com relação a questão da segurança operacional, colocando trabalhadores terceirizados com salários inferiores, trabalho mais precário e um nível de exploração maior? Tudo isso são questionamentos. Que tanto envolve o trabalhador próprio, como envolve o terceirizado.

Até agora o que existe é uma proposta de transferência para os trabalhadores irem para a Bacia de Campos, o Rio de Janeiro e o Espírito Santo. Foram oferecidas 250 vagas para todo o Nordeste, tanto na área administrativa, quanto na operacional, de sobreaviso. Só em Sergipe, fazendo uma conta por baixo, tem mais de 150 trabalhadores próprios envolvidos. Não há vagas para todo mundo lá fora.

Com o avanço da privatização, as incertezas são ainda maiores. E se os trabalhaforem transferidos para uma plataforma ou outro ativo da empresa que pode ser vendido a qualquer momento?

QUE CERTEZA TEMOS?

Até agora o que a empresa já sinalizou é que vai continuar atacando direitos. Basta observar o que fizeram na última campanha salarial: Retiraram o auxílio almoço e o Benefício Farmácia; não deram aumento salarial, só o repasse da inflação; não reajustaram o adicional de dupla função; e estão jogando para os trabalhadores as dívidas da Petrobras com a Petros. 

Além disso, tem a Reforma da Previdência, que vai afetar a aposentadoria. Tem também uma nova legislação, aprovada com a Reforma Trabalhista e a Lei da Terceirização, que a empresa pretende impor nos próximos acordos.

TERCEIRIZADOS TAMBÉM VÃO SOFRER

Quanto aos terceirizados, não existe garantia de emprego. A maioria das empresas que estão concorrendo o contrato para assumir as estações  já têm contrato na Petrobras e parte da mão de obra elas já trazem toda de fora. Sem falar na redução das vagas de emprego. Hoje a situação das estações já compromete o efetivo, porque tem operador sozinho que opera duas estações. O Sindipetro tem questionado isso já tem algum tempo. 
Com a terceirização a exploração vai aumentar. Onde hoje tem cinco operadores que trabalham em uma estação, além do pessoal da manutenção, a terceirizada vai contratar um efetivo bem menor, com salários inferiores. Imagine quantas vidas elas vão colocar em risco, sem garantir a segurança e salários adequados?

QUAL A SAÍDA? 

Essa situação tem gerado muita revolta e os trabalhadores já começaram a se organizar. Primeiro se reuniram, depois tiraram uma comissão de base e a partir dessa comissão, estão convocando os demais trabalhadores a organizar uma luta. 

Para isso, é necessário se reunir para pensar e refletir sobre essa realidade, em que o emprego e a vida dos trabalhadores está sendo colocada em risco. Com esse objetivo, a comissão tem convocado reuniões com os trabalhadores para estudar, avaliar e preparar um plano de luta.

PRIMEIRIZAÇÃO: UM DEBATE NECESSÁRIO

Ainda existe polêmica com esse tema, mas é preciso fazer esse debate. Não resolve só manter o efetivo próprio que existe. É necessário aumentar o efetivo. Além de convocar os concursados, que estão na lista de espera, a Petrobras poderia efetivar os terceirizados. A empresa e até alguns trabalhadores questionam, “como efetivar os terceirizados”? Se muitos trabalhadores podem ser contratados através de uma empresa terceirizada, sem nenhuma experiência, porque aqueles que já acumularam experiência não podem ser efetivados? Se a necessidade é aumentar o efetivo, o que não tem lógica é a Petrobras retirar o pouco efetivo que tem e terceirizar as estações. 

Não é nenhum absurdo exigir que todos os trabalhadores tenham os mesmos direitos. Inclusive já ganhamos uma ação na justiça, através do Ministério Público do Trabalho, pela primeirização de todas as atividades de sonda no campo terrestre de Sergipe, que agora está para ser julgada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) . 

Absurdo é não ter direitos iguais. Além de aumentar a exploração, o governo e os empresários se utilizam disso para dividir os trabalhadores e reinar sobre nossas vidas. Portanto, a luta pela primeirização permite unir trabalhadores próprios e terceirizados em uma só luta, em defesa do emprego e para impedir a privatização da Petrobras.

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