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Por Sindipetro em 20/03/2018 17:35

Não permitiremos que fechem a FAFEN

A Petrobras anunciou nesta terça-feira, 20, que vai fechar as fábricas de fertilizantes  em Sergipe (Fafen-SE) e na Bahia (Fafen-BA). A partir do final deste primeiro semestre querem colocar a fábrica para hibernar, ou seja, vão parar progressivamente a produção, para depois privatizar.

Segundo a gestão de Pedro Parente, essa decisão faz parte da estratégia da empresa, de saída integral das atividades de produção de fertilizantes, conforme o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022, do Governo Temer (PMDB).

Do ponto de vista do emprego, o fechamento da Fafen representa uma tragédia. Hoje a fábrica opera com um efetivo abaixo do mínimo, com cerca de 250 trabalhadores próprios da Petrobras e 470 terceirizados. Além disso, a Fafen gera milhares de empregos indiretos, através de fornecedores, prestadores de serviços, empresas que dão suporte à operação e, principalmente, às diversas fábricas de fertilizantes que estão instaladas devido à proximidade de acesso à matéria prima produzida por ela. Com o fechamento da Fafen, essas empresas misturadoras, a exemplo da Heringer e Fertinor, também podem ir embora.

PREJUÍZO É MENTIRA DO GOVERNO

Pedro Parente mente quando diz que a Fafen dá prejuízo. Não é a primeira vez que tentam privatizar a Fafen. Em 1993 e em 2001 os trabalhadores resistiram através da luta e impediram que a fábrica fosse privatizada.

Em 2012, com o anúncio do plano de desinvestimento pelo governo Dilma (PT), o Sindipetro AL/SE já alertava que o objetivo era desmontar a Fafen e a Petrobras em Sergipe. Em 2015, com Bendine na presidência da empresa, o governo deixou claro que pretendia focar apenas na exploração e exportação de óleo cru e abandonar todos os outros ramos da produção de petróleo.

Portanto, o fechamento da fábrica anunciado nesta terça, vem sendo preparado desde muito antes, com cortes de investimentos, sucateamento, demissões, redução de contratos, aumento da terceirização, retirada de direitos e calotes nos trabalhadores.

A partir de 2015, com o plano de demissão voluntária (PIDV), 120 trabalhadores próprios foram demitidos. Desde então, não houve reposição do quadro de funcionários. Invés disso, cinco operadores concursados, que foram convocados através de ação judicial movida pelo Sindipetro AL/SE, foram demitidos em dezembro do ano passado.

Portanto, a fábrica hoje não opera com a sua capacidade máxima, porque houve um desmonte consciente da gestão da empresa e dos sucessivos governos. A Fafen ainda está ativa e funcionando até hoje, porque os trabalhadores sustentaram a fábrica por todos esses anos com seu suor e a força da sua luta.

DE VOLTA AO PAU BRASIL

Se não tem prejuízo, qual a real justificativa do governo? Na verdade, o compromisso dos governos é com os interesses das empresas e dos bancos estrangeiros, que financiam os políticos corruptos que estão no poder. Sendo assim, os governos brasileiros aplicam em nosso país uma política de recolonização, com uma economia completamente dependente da exportação de matéria prima bruta.

Essa é a única explicação para o desmonte da indústria nacional de fertilizantes. A agricultura no Brasil é uma das principais bases da nossa economia. Porém, o país é dependente da importação de fertilizantes. Os países que mais exportam para o Brasil são a Rússia, China, Canadá e Estados Unidos da América. De acordo com dados da Associação Nacional da difusão de Adubos (Anda), o Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, segundo dados de 2011, consumindo 5,9% do total, ficando atrás da China (29,8%), Índia (16,3%) e EUA (11,8%).

Fertilizantes são estratégicos para nossa soberania alimentar, para o aumento de nosso PIB e contribuem para o equilíbrio da balança comercial. Portanto, a privatização das fábricas de fertilizantes da Petrobras, caso sejam concluídas, serão um crime contra a economia do país e, principalmente, contra a vida dos trabalhadores e do povo mais pobre.

Não permitiremos que a Fafen seja fechada. Convocamos todos os trabalhadores e a população de Sergipe a organizar sua revolta, lutar e exigir dos governos que retomem os investimentos na fábrica e parem com o processo de desmonte e privatização da Petrobras.

 

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