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Por Sindipetro em 16/04/2018 16:30

Se vender a Petrobras, para onde vai Carmópolis?

Por José de Assis, assessor político do Sindipetro AL/SE

O processo de desinvestimento na Petrobras tem se aprofundado, com o objetivo de amortecer a produção, até matar os campos terrestres, torná-los inviáveis e assim justificar sua venda ao capital internacional. É o que está acontecendo com o campo de Carmópolis- SE de 2012 para cá. Isso vem se aprofundando com a redução e o fechamento de vários postos de trabalho, assim desempregando mais de 4 mil trabalhadores terceirizados.

Desde os governos de FHC, passando por Lula, Dilma e agora Temer, a terceirização das atividades laborativas operacionais na cadeia produtiva de petróleo tem sido uma forma de privatizar a empresa por dentro.  No Campo Terrestre de Carmópolis já foram terceirizadas as atividades de sonda de produção terrestre (SPT), wireline, sonolog, passagem de PIG e manutenção eletromecânica. Também foram terceirizadas as atividades nas Unidades de Bombeio (UB), nos quadros de comando elétrico e nas  redes elétricas de alta e baixa tensão de todo o campo. Agora chegou a vez da terceirização das estações coletoras. Nem mesmo a fiscalização  dos contratos terceirizados escapou da terceirização. Veja só que absurso.

Sendo dez estações no município de Carmópolis, incluindo a estação de água, e quatro em Siririzinho, mais três em Riachuelo, uma em Ilha Pequena, uma em Robalo, uma em Brejo Grande. No total são 21 estações coletoras. Sem contar as estações de vapores e sub estações elétricas, já que temos um dos maiores patrimônios privatizados, que é a UPGN de Carmópolis, que está na concessão da empresa EXTERRAN. Esse modelo só tem piorado a vida do trabalhadores, com a precarização dos direitos trabalhistas e dos locais de trabalho.

O fato mais recente foi o contrato com a segurança patrimonial. Segundo informações  dos trabalhadores, de 300 vigilantes, baixou para 200. Houve  uma redução de aproximadamente 30% do pessoal, agora no novo contrato com a empresa CAIRUS. Ou seja, estamos indo na contra mão dos fatos. Onde se reivindica diariamente por segurança, por conta dos assaltos frequentes no campo, a empresa tem reduzido o efetivo de pessoal, contribuindo para desenvolver um clima de medo e insegurança. Põe em risco não só a segurança patrimonial, como a vida dos próprios vigilantes e dos demais trabalhadores. Um operador próprio da Petrobras até hoje tem uma bala alojada no pescoço depois de sofrer um assalto enquanto trabalhava no campo.

O que temos presenciado no dia a dia são drástica consequências aos trabalhadores, independentemente da cor da farda, ou da empresa que ele foi contratado. A política imputada pelos governos é ratificada pela gestão da Petrobras de forma verticalizada. Assim é que os calotes nos trabalhadores tem se generalizado em todos os aspectos nos  últimos  sete anos.  Foi desde a retirada do “cafezinho” da manhã, até o não pagamentos das verbas rescisórias, sendo o Sindipetro obrigado a ajuizar ações coletivas na justiça do trabalho para proteger os direitos dos trabalhadores.

Temos vários exemplos de processos que ajuizamos contra o calote das empresas, como é o caso da SOTEP, ETX, EMPERCOM MENDES MIGUI, CONFIME, ESTRE INFRANER, META, TENASA, ADVENTURE, PRODUMAN, ECMAN, SUPERSOLDA QUALITEX, ACF ,BRASITEST, SERTEL ,GROW, SOUZA NETO E ETC. Isso só no campo terrestre de Carmópolis.  Os calotes das empresas também é constante nas outras áreas da Petrobras em Sergipe: polo Atalaia, na Sede da Rua Acre, onde reúne toda a gerentada, bem como na Fafen, que está ameaçada de ser fechada, nos estados de Alagoas, nos polos de Pilar, Furado e São Miguel dos campos.

Precisamos entender que isso tudo não é por acaso, nem é apenas um problema de mau gerenciamento. É um projeto de governabilidade do sistema capitalista, para roubar e dividir cada vez mais a classe trabalhadora operária.

Assim, o sistema através dos seus agentes, utiliza os métodos mais escusos possíveis para se auto beneficiar, convencendo e impedindo os trabalhadores de não se organizarem em sindicatos de luta. Para discutir polidamente as suas saídas, contrapondo ao capital, criando uma ilusão ao judiciário corrupto. Aí tem o domínio da classe para manipular e oprimir, nos deixando na miséria absoluta  e assim tenta nos matar diariamente.

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