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Por Sindipetro em 07/06/2018 11:09

Para reduzir preços dos combustíveis é preciso mudar política de reajustes da Petrobras e barrar privatização

As consequências da greve dos caminhoneiros, mesmo após mais de uma semana do seu encerramento, ainda podem ser sentidas no país. Contudo, o acordo apresentado pelo governo Temer para encerrar a mobilização até hoje não foi cumprido na íntegra e dá sinais de que pode, inclusive, voltar à estaca zero.

A redução do preço do diesel e a tabela com valores mínimos de frete, duas das principais reivindicações da categoria e prometidas por Temer, sofrem resistência no Congresso e do empresariado.

Depois de prometer uma redução de R$ 0,46 por litro do óleo diesel, o governo alega agora que a concretização do desconto depende de vários fatores, inclusive o repasse por parte das distribuidoras e dos postos de combustíveis. Caminhoneiros denunciam que até agora a redução não chegou nas bombas dos postos, na maioria das regiões.

Já a tabela de fretes mínimos esbarrou na ganância dos empresários e dos ruralistas, que dizem que a tabela elevaria os custos do frete em até 150%. Segundo o Estadão/Broadcast, os ministros dos Transportes, Valter Casimiro, e da Agricultura, Blairo Maggi, confirmaram que o governo irá recuar da medida.

ANP fará consulta pública sobre preços

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciou nesta terça-feira (5) a abertura de uma consulta pública (de 11 de junho a 2 de julho) para receber sugestões da sociedade sobre a periodicidade mínima para o repasse de variações de cotação do petróleo e do dólar para os preços dos combustíveis.

Com base na consulta pública, a ANP editará uma resolução. O documento deve ser publicado entre 40 e 60 dias depois do fim do prazo para envio de sugestões, ou seja, em meados de agosto.

Segundo analistas políticos, a medida foi a saída encontrada para ganhar tempo e tentar diminuir a pressão sobre o governo, que foi derrotado pela greve dos caminhoneiros, bem como pela greve dos petroleiros ocorrida em seguida. As mobilizações levaram, inclusive, à derrubada do presidente da Petrobras Pedro Parente.

Política da Petrobras e privatização levaram a aumento dos preços

A luta dos caminhoneiros, petroleiros e demais categorias contra Temer e as privatizações trouxe à tona a política abusiva de preços da Petrobras.

Por trás da escalada do preço dos combustíveis foi demonstrado que estava a política da direção da Petrobras de reajustes de acordo com o mercado internacional e com o preço do dólar. Ficou ainda demonstrado que tal política está a serviço dos interesses dos acionistas privados e estrangeiros, que hoje controlam as ações da estatal.

“A política de preços dos combustíveis, implementada na gestão Parente, é o pilar do plano privatização, que visa entregar 60% da participação da Petrobrás em quatro refinarias, cedendo 25% do mercado de refino do país”, afirma o dirigente do Sindipetro-RJ e da FNP, Eduardo Henrique, que também é ativista da CSP-Conlutas.

“O governo e a direção da empresa dizem que o fato da Petrobrás praticamente ser a detentora do refino é ruim para o país. Mentira. Falam isso para ver se conseguem entregar a preço vil o patrimônio da Petrobrás e facilitar a vida das empresas privadas que não querem investir; só lucrar às nossas custas”, disse.

Ainda segundo Eduardo Henrique, o acordo do governo com os caminhoneiros foi um blefe, que agora pode inclusive retroceder. “A forma para, de fato, reduzir o preço dos combustíveis no país é mudar a política de reajustes da Petrobras e barrar a privatização da empresa, que se avançar aí sim será ainda mais prejudicial à população e continuará aumentando os preços”, afirmou.

“A Petrobras precisa ser 100% estatal, sob controle dos trabalhadores, para que haja investimento no parque de refino e na capacidade de produção no país, cessem os ataques aos direitos dos petroleiros e sucateamento da empresa. Enfim, para que a Petrobras esteja a serviço dos interesses da população e não de uma minoria de acionistas estrangeiros. O caminho para garantir essas reivindicações é retomarmos a greve nacional petroleira, bem como avançar na construção de uma Greve Geral no país”, concluiu.

Fonte: CSP-Conlutas

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