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Por Sindipetro em 19/07/2018 15:45

Enquanto corruptos seguem soltos, Justiça condena manifestantes de Junho de 2013

Na terça-feira (17), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou à prisão 23 ativistas que participaram de protestos no estado durante as jornadas de junho 2013 e contra a Copa em 2014.  O juiz Flávio Itabaiana decretou penas que variam entre 5 e 7 anos de detenção em regime fechado, por crimes como formação de quadrilha, dano qualificado, corrupção de menores e lesão corporal. Os ativistas vão recorrer e poderão responder em liberdade ao processo que ainda corre em primeira instância.

As jornadas de junho de 2013 foram um período marcado por manifestações em todo o Brasil, inicialmente contra o aumento da tarifa de transporte público e depois por várias outras reivindicações. Centenas de milhares de manifestantes, legitimamente, foram para as ruas e enfrentaram a repressão por parte da polícia. Como parte dessas ações de intimidação, muitos foram levados presos, e nos casos mais duros, acabaram respondendo a processos criminais, como no caso desses ativistas.

Em entrevista concedida à Ponte Jornalismo, uma das condenadas Eloisa Samy Santiago considerou absurda a decisão e as acusações contra os manifestantes, sobretudo, no que diz respeito à formação de quadrilha. “Grande parte daquelas pessoas eu mal conhecia. Com alguns deles tive um contato eventual, mas não eram amigos do meu convívio. Tudo isso é um absurdo desde o começo”, relatou.

Elisa Quadros Pinto Sanzi, conhecida como Sininho, chegou a ser apontada com chefe dessa suposta quadrilha, e também foi condenada.

Na absurda sentença, o juiz Flavio Itabaiana chega ao ponto de fazer alusão ao protesto contra a gestão do então governador do Rio, Sérgio Cabral, e afirmou que “é inacreditável o então governador e sua família terem ficado com o direito de ir e vir restringido”. Cabral, para quem não se lembra, é o ex-governador do MDB que está preso e condenado há vários anos de prisão por corrupção e esquemas que faliram o estado do Rio de Janeiro.

Outros casos

Casos como o dos ativistas do Rio não são isolados e mostram como os governos, para intimidar e reprimir manifestações, usam a justiça em processos escandalosos e sem fundamentos.

Em São Paulo, em setembro de 2016, 18 jovens foram detidos durante uma manifestação contra o governo de Michel Temer. O Ministério Público de São Paulo acusa esses manifestantes de formação de organização criminosa e corrupção de menores, parecido com o processo do Rio. As provas contra os adolescentes eram vinagre, materiais de primeiros socorros, máscaras e roupas pretas e capuzes.

Junto a esses manifestantes, estava o capitão do exército Willian Pina Botelho, infiltrado que se apresentava como Balta Nunes.  O militar não foi levado preso junto com os manifestantes, e tempos depois foi promovido a major do Exército. Com a medida, ele não precisará prestar depoimento presencialmente.

Para a integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Rita de Souza, condenações desse tipo mostram a nítida intenção dos governos e poderosos em intimidar os que lutam, para que sirvam de exemplo para que o povo não saia às ruas ou se manifeste.

“Em contrapartida, os verdadeiros bandidos, que são os políticos corruptos, como Temer e sua corja, continuam soltos. Mesmo quando são presos, se beneficiam de regalias, como a tornozeleira eletrônica, cujas prisões são mansões e casas de luxo compradas com desvio de dinheiro público”, criticou.

Punição a ativistas e prisão de manifestantes que fizeram valer seu direito de ir às ruas contra os desmandos dos governos devem ser repudiadas e denunciadas como prisões e perseguições políticas. Lutar não é crime! Lutar é um direito!

Fonte: CSP-Conlutas

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