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Por Sindipetro em 12/03/2019 13:22

Suspeitos de matar Marielle e Anderson foram presos. Agora a pergunta é: QUEM MANDOU MATAR?

Prestes a completar um ano do assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco e do seu motorista, Anderson Gomes, foram presos dois suspeitos na manhã desta terça-feira,  12.  A  força-tarefa realizada pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil e promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz.

Segundo a denúncia do Ministério Público (MP) do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. O segundo acusado foi expulso da corporação. “É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio. 

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, declarou à grande imprensa que considera a operação um passo importante, mas reiterou que “não basta prender mercenários, é importante saber quem mandou articular tudo isso e qual foi a motivação”, afirmou.

Ela também criticou a demora das autoridades em solucionar o caso. “Considero esse tempo de um ano uma demora muito grande para uma execução que foi um crime político, de repercussão internacional. Lamentável que a gente chegue a um ano para poder responder a esta primeira etapa, que é importante, mas que não é principal”, apontou.

14 de março é dia de ir às ruas por justiça

A mobilização que iniciou no 8 de março, dia internacional de luta da mulher trabalhadora, continua na quinta-feira (14).  As mulheres vão tomar as ruas novamente exigindo justiça para a morte de Marielle e Anderson. Nesta data, completa-se um ano do crime sem punição para os mandantes e executores.

Todo o país estará mobilizado! Em Aracaju, o ponto de concentração será em frente à Câmara de Vereadores, no centro, às 15h. O ato contará com manifestações religiosas e artísticas. Atrações como Anne Carol e Jaque Barroso, MC Negratcha, Pérola Negra e Femina marcam presença na ação em memória de Marielle, dentre uma série de artistas que se somam a cada momento para compor o ato em solidariedade.

Toda revolta, dor e tristeza que vivemos hoje deve se transformar em ação e organização para que os de baixos, a classe trabalhadora, negras e negros, pobres, faveladas e favelados, LGBT’s se rebelem e derrubem os de cima.


MUITAS COINCIDÊNCIAS 

Coincidentemente Lessa, um dos acusados, mora no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Outra coincidência é a foto divulgada por internautas de Bolsonaro abraçado com o outro acusado, Élcio Queiroz. 

As coincidências não param aí. Em janeiro deste ano já havia sido revelado que o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, eleito ao senado, tinha relação com milicianos do grupo Escritório do Crime, envolvido em grilagens de terra e, principalmente, suspeito pelo envolvimento no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

A mãe e a mulher de um dos alvos da operação, o capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-agente do Bope e atual líder do grupo criminoso, estavam até novembro último empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro. Adriano foi homenageado em 2004 pelo então deputado com uma menção de louvor e congratulações a supostos serviços prestados à comunidade proposto por Flávio. Na ocasião, o filho de Jair Bolsonaro disse que Adriano atuava com “brilhantismo e galhardia”. No ano anterior Ronald havia sido implicado na “chacina da Via Show”.

No ano seguinte, em 2005, Flávio Bolsonaro concedeu mais uma honraria ao miliciano: a Medalha Tiradentes, a maior da Alerj. O major Ronald Paulo Alves Pereira, também apontado como líder do Escritório Criminoso, também recebeu homenagem de Flávio Bolsonaro em 2004.

A mãe de Adriano, empregada no gabinete de Flávio Bolsonaro, é ainda uma das mencionadas no relatório do Coaf como uma das que fizeram a série de depósitos na conta de Flávio.

É público o fato de que a família Bolsonaro sempre defendeu as milícias. Agora estamos falando de uma milícia envolvida com a execução de Marielle e Anderson e que é ligada a Flávio Bolsonaro. 

É preciso investigar o caso e punir os responsáveis, tanto os executores como os mandantes que, como disse na época o então ministro da Segurança Pública, Raul Jugman, tem o envolvimento de “políticos poderosos”.

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