Categoria: Fertilizantes

Por Sindipetro em 14/08/2019 12:56

Retomar campanha em defesa da FAFEN operando e estatal

A História reservou à nossa geração assistir ao maior desmonte de uma nação, a nossa nação. Ao maior ataque a um estado nacional. Maior principalmente em covardia.

Nossa industrialização começou nos governos de Getúlio, continuando pelos que vieram em seguida, incluindo os governos militares. Essas bases agora estão sendo destruídas diante do olhar incrédulo de uma sociedade anestesiada pelo bombardeio de informações e contrainformações. Uma sociedade paralisada pela dúvida e incredulidade.

As instituições que deveriam assegurar o funcionamento da república conforme estabelecido em nossa carta magna estão mergulhadas em crise profunda.

Há um dito popular que afirma: “o sol nasce para quem compra e se põe para quem vende”. Essa expressão nos remete ao imenso feirão que se formou em torno da decisão do governo Bolsonaro (PSL) de vender os ativos dos parques de produção e refino da Petrobrás, da venda da Eletrobrás, da ameaça sobre os Correios e aos bancos estatais.

Em Sergipe a hibernação da fábrica de fertilizantes nitrogenados, Fafen afeta diretamente a capacidade nacional de produção de alimentos colocando em cheque nossa segurança alimentar.

No caso específico da Fafen há que se denunciar que “hibernar” uma fábrica de amônia e ureia não é como desligar uma casa de farinha. Parar aquelas instalações e equipamentos é condená-los ao sucateamento dado o alto potencial de oxidação e coqueamento de toda a planta.
Não há como manter os sistemas sob atmosfera inerte por tempo indeterminado. Para termos uma ideia existe um emissário submarino que leva efluentes da fábrica, em Laranjeiras até o Tecarmo, na Atalaia, percorrendo 30 km e mergulhando mar adentro por mais 3 km. Caso este emissário não tenha a devida manutenção o mar entrará por ele em fluxo inverso agravando mais ainda a severidade dos processos corrosivos.
Depois de alguns meses parado, o emissário submarino estará seriamente avariado, impondo mais dificuldades e custos em uma retomada futura. E nem falamos dos demais sistemas, reatores, caldeiras, válvulas e seus sistemas de controle.

A parada da Fafen aumenta nossa dependência do mercado mundial de fertilizantes.

Desde a implantação da fábrica pioneira em Camaçari-BA na década de 60 que o Brasil vem pagando caro para aprender a fabricar fertilizantes nitrogenados. Na década de 70 o governo implantou mais uma grande fábrica em Camaçari e na década de 80 uma fábrica ainda maior em Laranjeiras/SE. Passamos 50 anos até aprendermos a projetar, montar e operar uma fábrica moderna de fertilizantes nitrogenados. O fechamento da Fafen também significa perda desse conhecimento.

Mas a luta pela Fafen ainda não cessou. Agora que foi revelada a imensa reserva de gás que tem o estado de Sergipe não se justifica mais a Fafen dar prejuízo por falta de gás. É hora de reacender aquelas fornalhas para devolver alguma esperança aos Sergipanos. É preciso retomar com força a luta pela reabertura da Fafen como parte do sistema Petrobrás. Esse movimento deve ser encampado por todos aqueles que defendem os empregos, a autonomia do país e nossa soberania alimentar.

A luta continua!
No próximo dia 16 de agosto a Advocacia Operária abrirá suas portas para receber todos aqueles dispostos a defender a Fafen. O evento tem o objetivo de retomar a história da fábrica e das lutas que lá foram travadas e apontar as estratégias para manter a Fafen operando dentro do sistema Petrobrás. A atividade ocorrerá às 16h00, na Rua Dom José Thomaz, nº 62, Bairro São José.

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