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Por Sindipetro em 24/10/2019 16:26

No Chile, povo segue em luta por não ter mais nada a perder. Solidariedade desde o Brasil

As imagens de repressão e violência policial no Chile têm chocado o mundo inteiro. Segundo o Ministério do Interior, 1571 pessoas foram detidas. Até o momento, são 18 mortos confirmados, dentre eles, uma crianças de 4 anos, que conforme divulgado pelo governo, morreu atropelada.

O presidente, acuado nesse cenário político em chamas, chegou a anunciar um pacote medidas de “alívio social” na noite de terça-feira (22). Ainda assim a população permanece na rua, indignada e demonstrando que a barbárie não intimida a mobilização por direitos.

Com esse ânimo de luta, nessa quarta (23), em meio a forte greve geral, o povo mostrou mais uma vez que não tem medo e não aceita mais o governo de Sebastian Piñera, o toque de recolher e a postura criminosa e assassina do exército.

Centenas de milhares tomaram as cidades e na capital as vias foram completamente tomadas, mesmo sob forte contingente militar nas ruas. CONFIRA AQUI. 

Violações – Segundo o Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile, desde o dia 17 de outubro, 376 pessoas foram feridas, e dessas 173 por armas de fogo. A CIDH (Comissão Internacional de Direitos Humanos) condenou a violência e expressou profunda preocupação pelas 2128 pessoas detidas no marco dos protestos.

A imprensa alternativa tem divulgado inúmeros registros em vídeos de cenas revoltantes de violação de direitos humanos.

Na Praça Itália, um dos locais centrais da cidade de Santiago, a manifestação dessa quarta foi duramente reprimida, com disparos de armas menos letais a queima roupa e arremesso de bombas a curta distância dos manifestantes.

Confira um registro das cenas de repressão

O Chile é o Brasil amanhã – As revoltas no país são motivadas por medidas políticas desastrosas que o governo de Bolsonaro tenta copiar. Uma delas, e a mais recente em pauta no congresso brasileiro [texto base foi aprovado nesta terça (22)], é a reforma da Previdência, cujo modelo, defendido por Paulo Guedes, é o mesmo adotado no Chile, que vive essa atual convulsão social.

A aposentadoria dos trabalhadores no Chile é administrada pelas chamadas AFPs  (Administradoras dos Fundos de Pensão), que são empresas privadas que lucram todos os meses em cima dos descontos nos salários dos trabalhadores.

Esse modelo de capitalização individual que Bolsonaro e Guedes tentaram implementar anteriormente com essa Reforma da Previdência no Brasil ainda pode vir a ser colocado como possibilidade. E ao contrário de como é colocado pelo governo, como uma medida que a longo prazo traz benefícios econômicos e sociais, fará com que no futuro sejamos o Chile de hoje, quebrado, com intensa insatisfação popular diante dos altos custos de vida e exploração dos trabalhadores.

No Chile, o modelo de previdência resulta em maioria de aposentados que recebem menos de 30% do que recebia antes, situação que não acompanha os preços sempre em alta e os custos por todos os serviços básicos privatizados.

Segundo dados do próprio governo chileno, o número de suicídios entre os maiores de 80 anos, ou seja, o perfil de quem á é aposentado, chegou a 17,7 para cada 100 mil habitantes, o percentual mais alto na América Latina.

Outra iniciativa de governo no Brasil que se assemelha às políticas chilenas é a privatização do ensino. Se temos a ameaça do Future-se para a qualidade do ensino público e gratuito no Brasil, temos no Chile um modelo de universidades públicas pagas, com mensalidades que podem custar mais do que em uma universidade privada. Como resultado, as famílias dos estudantes endividadas por anos até que seja possível quitar os empréstimos com estudos.

A saúde pública chilena também é paga, e só é atendido quem tem dinheiro pra isso, e até mesmo os planos privados não cobrem todos os gastos com atendimento hospitalar.

No Brasil, os planos de Bolsonaro não são diferentes. O SUS (Sistema Único de Saúde), que já sofre impactos da EC 95, a PEC do teto de gastos, passará por mais ataques, uma vez que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) segue em processo de desconstrução de políticas do sistema público.

A situação do principal povo originário no Chile, os mapuches, tal qual quilombolas e indígenas no Brasil, é tensa. Lá, assim como em terras brasileiras, o povo mapuche resiste contra ocupantes ilegais de suas terras e às ofensivas de grandes empresas e do Estado, que tomam as terras, especialmente na região sul do país, em busca de lucro e de terrenos férteis.

Em diversos países pelo mundo, o povo está farto de arcar com as contas do mercado e do capital. Os governos neoliberais e corruptos já não respondem às reivindicações populares e as revoltas vistas nos quatro cantos do mundo são a expressão dessa crise.

Assim como no Chile, cuja desigualdade social é uma das mais gritantes na América Latina, o Brasil não fica muito atrás nesse ranking, e possui 1% de sua população que detém 25% da renda total no país.

Ato de solidariedade ao povo chileno – Na tarde dessa quarta (23), a CSP-Conlutas e diversos movimentos sociais organizados realizaram uma manifestação de apoio ao povo chileno, em frente ao Consulado do Chile em São Paulo, na Avenida Paulista.

Presente, a CSP-Conlutas chamou a solidariedade à luta do povo chileno e alertou sobre a situação do Brasil. “O imperialismo, o FMI (Fundo Monetário Internacional) que assola o Chile, o Equador, a Argentina é o mesmo é o mesmo imperialismo e FMI que quer dilapidar o trabalhador brasileiro”, disse o professor Joeferson Almeida, da SEN (Secretaria Executiva Nacional) da CSP-Conlutas.

Dirigente metroviária, Ana Claudia Borguin, SEN da CSP-Conlutas, define como importante a participação da Central. “Para além da solidariedade, o que acontece no Chile é uma demonstração do que pode acontecer no Brasil em pouco tempo,porque o estilo neoliberal aplicado no Chile é o mesmo que vem sendo aplicado em todos os países da América Latina, então a nossa solidariedade também deve ser força de luta para que os estudantes e trabalhadores se rebelem também contra os planos de privatização e precarização dos serviços aqui no Brasil”, salientou Ana Claudia.

O dirigente metroviário da CSP-Conlutas São Paulo Altino Prazeres defendeu foi mais enfático e defendeu o socialismo e que os mineiros chilenos é quem devem controlar as minas. “Assim como os metroviários chilenos controlar o metrô como o fizeram esses dias no Chile quando permitiram a catraca livre”, reforçou.

No ato de Belo Horizonte (MG), o dirigente da SEN da CSP-Conlutas Aldiério Florêncio Pereira foi enfático: “São mais de 30 anos de perseguição, de privatizações, de ataques à classe trabalhadora. Por isso, se tem que ter uma guerra tem que ter uma guerra da classe trabalhadora contra quem nos explora, uma guerra da classe trabalhadora contra quem nos oprime, uma guerra da classe trabalhadora contra o capitalismo”, disse, saudando a grande mobilização nacional no Chile.

Fonte: CSP-Conlutas

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