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Por Sindipetro em 29/10/2019 12:47

Bolsonaro demora a agir e mancha em praias no nordeste é o maior desastre deste tipo no mundo

Um levantamento feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apontou que pelo menos 249 localidades, em 92 municípios, dos nove estados nordestinos, foram afetadas até o último sábado (26) pelo vazamento de óleo, que supera 2 mil quilômetros de extensão.

“Essa tragédia compõe o maior desastre ambiental desse tipo, que se tem notícia no mundo”, afirma a informação divulgada pela pesquisadora do Ibama Fernanda Pirillo.

O diretor de Comunicação do Projeto Jubarte, Enrico Marcovaldi, que atua na região da praia do Forte e Abrolhos, ambos na Bahia, avalia tal acidente, como barbaridade, uma tragédia lamentável. “Um mistério”, disse ele.

Se Abrolhos, a região de maior diversidade do Atlântico Sul, não foi afetada, Enrico lembra que há outras regiões importantíssimas para a vida marinha. “Todos os arrecifes costeiros que vem lá de Pernambuco, sul da Paraíba, até o sul de Alagoas tem uma franja coralina enorme que foi afetada, com manchas pontuais”.

Ainda que não tenha chegado o óleo, Abrolhos é um foco de preocupação. Já houve reuniões entre o Parque Marinho de Abrolhos, ICMBio e prefeituras da região. “A tentativa é de que se organizem para que, se por caso esse óleo chegar lá, eles possam agir rápido”, disse do diretor do Jubarte.

Segundo Marcovaldi, as tartarugas vêm sofrendo muito com o derramamento do óleo, o que provocou uma força tarefa do projeto Tamar e comunidades locais para salvá-las.

“Felizmente esse ano não vieram tantas baleias jubarte, assim não foram afetadas pelo óleo e a temporada já acabou, já seguiram para a Antártida”, comemora o diretor.

Desde o dia 30 de agosto, com origem na Paraíba, a mancha de óleo se alastra por importantes praias do nordeste. No entanto, só após 40 dias, o governo acionou equipes para conter a mancha. Até o momento, o governo adota uma postura que mistura má conduta com inércia.

A falta de preparo e a demora em agir para minimizar o problema têm reforçado a percepção de que o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Ricardo Salles e sua equipe de governo pouco se importam com o meio ambiente.

O presidente chegou a aprovar, em abril, por decreto, a extinção de conselhos, comitês e comissões que poderiam auxiliar no Plano Nacional de Contingência, responsável pela contenção desse tipo de impacto ambiental.

O Plano Nacional de Contingência, criado em 2013 para esse tipo de desastre, inclusive, foi acionado tardiamente pelo governo. Tal postura levou o Ministério Público Federal a abrir investigação sobre o caso.

No dia 18 de outubro, o Ministério Público, com representação dos nove estados nordestinos moveu ação judicial solicitando que o governo federal fosse obrigado a acionar em 24 horas o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional, com multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, seguem tentando desviar o foco na solução do problema especulando sobre culpados sem provas, como por exemplo, a Venezuela, e mais recentemente o Greenpeace, como responsáveis pelo vazamento, em mais uma campanha de fake news.

Quando o governo falta, a população se auto-organiza

Se faltam ações por parte do governo federal em solucionar o vazamento de óleo nas praias nordestinas, sobram exemplos da população que se auto-organiza para limpar as praias e minimizar os estragos, mesmo pondo em risco a saúde.

Uma imagem de um menino da região de Pernambuco, coberto por óleo, saindo do mar, se tornou símbolo da tragédia e da impotência diante da paralisia do governo que demorou a agir.

Everton Miguel dos Anjos, de 13 anos, assim como seus quatro irmãos e familiares se somaram aos mutirões locais, que retiravam o produto da água.

Na praia do Forte são a comunidade, o Ibama e a própria CTA, empresa da Petrobrás, Prefeitura e hotéis da região que estão atuando conjuntamente para limpar as praias.

Os exemplos têm se repetido nas regiões afetadas e acendem o alerta para o risco de contaminação da população em contato com o material.

O presidente do Conselho Regional de Química de Pernambuco, Sheylane Luz, alertou que substâncias presentes no petróleo estão entre os compostos mais tóxicos do óleo.

Ao menos 17 voluntários que entraram em contato com o produto que mancha a costa nordestina compareceram a hospitais de Pernambuco, com sintomas como vômito, enjoo e erupções na pele. Existe também o alerta do Conselho Regional de Química do estado sobre o contato com as manchas de óleo, que, mesmo indireto, traz riscos à saúde e pode ser causador de câncer.

“Não há um Ministério do Meio Ambiente no governo Bolsonaro. O que vemos é um ministério da destruição do meio ambiente. Em menos de um ano já assistimos tragédias absurdas como Brumadinho, as queimadas na Amazônia e agora este crime ambiental. Em todas essas situações, este governo de ultradireita agiu com descaso completo com o meio ambiente e com a população, sempre espalhando fake news e inventando culpados”, avalia a dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Renata França.

“Ricardo Salles, ministro que age a serviço de mineradoras e grandes empresas, inclusive, tem processo na Justiça por esse motivo, precisa sair deste cargo imediatamente. E, novamente, seguimos afirmando, é preciso derrotar Bolsonaro e Mourão com luta, nas ruas, antes que destruam o país”, concluiu Renata.

Fonte: CSP-Conlutas

*Com informações da Folha de São Paulo e Pragmatismo Político

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