Categoria: Petrobras

Por imprensa-al em 29/07/2020 17:57

AO MESMO TEMPO QUE TRABALHADORES SÃO MASSACRADOS, PETROBRÁS PRIVILEGIA DIRETORES COM SALÁRIOS QUE PODEM CHEGAR ATÉ R$ 400 MIL REAIS POR MÊS

Foto: Reprodução Agência Brasil
Foto: Reprodução Agência Brasil

Enquanto a boiada vai passando e arrastando empregos, sonhos e destruindo o patrimônio da Petrobrás, os gerentes da companhia reservam para eles o filé mignon. Mesmo fazendo uma gestão de terra arrasada, os principais executivos da empresa, incluindo o presidente, Roberto Castello Branco, poderão receber cerca de 400 mil reais no período de abril deste ano a março de 2021.

O “manjar dos deuses” foi um oferecimento da Assembleia Geral Ordinária (AGO) dos acionistas, realizada no último dia 22 de julho, quando foi aprovado 43,3 milhões de reais para serem distribuídos com a cúpula da companhia. No ano passado, o valor aprovisionado para o exercício de doze meses foi de 32,4 milhões de reais. Só resta a casta de apaniguados agradecer e rir à toa por comprimir salários e direitos de trabalhadores ao tempo em que o dinheiro jorra facilmente para eles.

A conta é simples: Se você dividir os 43,3 milhões de reais e distribuir pelos nove diretores executivos, considerando que eles recebem salários iguais, em média cada um poderá ganhar 4,8 milhões de reais ao ano, ou seja, 400.000 reais por mês.

O “benefício generoso” foi concedido no momento em que a direção da Petrobrás pratica um profundo programa de reestruturação, mirando cortes de custos e tendo como pano de fundo a pandemia do novo Coronavírus. Uma decisão, no mínimo, imoral, pois desde o começo da disseminação da Covid-19 no país, a Petrobrás chegou a anunciar a redução de 25% do salários dos trabalhadores/as.

Por mais que houvesse regramento e provisão para a destinação de tais recursos para remuneração dos executivos, é uma verdadeira afronta aos petroleiros essa decisão tão inoportuna. O pior é a justificativa dada para o aumento da remuneração variável para os chefões de plantão. Segundo a empresa, a medida é uma forma de alinhar os resultados da companhia aos desempenhos individuais, além de estar relacionada ao novo foco da Petrobrás de valorizar a meritocracia e maximizar os resultados.  

É de se perguntar por que os trabalhadores que estão na linha de frente e no chão da fábrica, correndo todos os riscos que esse momento de pandemia oferece, não foram tratados igualmente? Mesmo com a categoria trabalhando diariamente para que não haja desabastecimento, a regra é uma só: privilegiar os de cima e retirar direitos dos debaixo!

A proposta de ACT apresentada pela empresa é um exemplo contundente disso. Não há a mínima sensibilidade para a gravidade sanitária do momento, inclusive com vítimas fatais entre os petroleiros. Lamentavelmente, a posição da empresa se resume em perseguir suas metas perversas de redução de custos, sem se importar com a vida das pessoas.

Os petroleiros exigem responsabilidade da companhia no cenário em que mais de 90 mil brasileiros já perderam a vida para a Covid-19. Queremos a prorrogação do atual ACT como medida mais sensata e responsável para a realidade de hoje. A categoria precisa ser consultada sobre suas necessidades e demandas atuais. Mas isso só pode ser feito, de forma mais ampla possível, dentro de certa normalidade sanitária. Chega de priorizar números frios e a busca inconsequente pelo lucro. Basta de perdas!

Merecemos mais!

A vida em primeiro lugar!   

     

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